Manutenção automotiva, qual a melhor forma de revisar um automóvel?

Blog Doutor-ie Revisão e um checklist

Aprenda a realizar uma revisão de status premium


Quando falamos da manutenção automotiva básica, um assunto super importante é a realização das revisões do plano de manutenção do veículo, que normalmente é disponibilizado ou previsto pela montadora.

A Doutor-IE entende que as revisões são parte primordial da manutenção automotiva, tendo sua importância evidenciada pela necessidade de manter o veículo funcionando de forma confiável e com segurança. Durante as revisões o reparador pode identificar e corrigir previamente problemas iminentes que, caso se concretizem, podem trazer um custo elevado ao dono do veículo.

Uma vez que a compra de veículos novos (zero km) se torna menos comum, os clientes se voltam cada vez mais à manutenção dos seus veículos, com intuito de mantê-los por mais tempo. 

Por isso, é importante pensarmos que o plano de manutenção de um automóvel é elaborado pelos fabricantes para ser equilibrado em cima de um tripé de requisitos, sendo eles:

  • Manter a probabilidade de falhas baixa
    (principalmente dentro do período de garantia do veículo)
  • Satisfação do cliente
  • Preço das revisões

Devido a essa divisão de prioridades, as fabricantes de automóveis precisam fazer concessões durante a elaboração do plano de manutenção de um determinado modelo, sempre tentando buscar o melhor dentre essas 3 características.

Em comparação com essa filosofia, a lógica da manutenção de aeronaves, por exemplo, baseia-se apenas no quesito segurança.

Logo, comparando o mundo da aviação com o mundo dos automóveis, é possível perceber que a manutenção prevista pelo fabricante de um automóvel, no manual de revisões, é o mínimo que você precisa fazer para que o veículo não dê problemas nos primeiros anos de vida.

Porém, não significa que alguns outros procedimentos não possam ser efetuados para aumentar ainda mais a vida útil do mesmo. Principalmente após os anos iniciais, onde o desgaste já começa a se acumular, é interessante executar algumas verificações extras.

Uma grande comprovação deste cenário comparativo é que toda fabricante de aeronaves e de motores de aeronaves prevê uma revisão chamada “overhaul”.

Por exemplo, durante a revisão de “overhaul” um motor de aviação é desmontado e inspecionado por completo, onde algumas peças são substituídas obrigatoriamente, e outras, que podem sofrer desgaste, são conferidas, medidas e substituídas caso necessário. Ao fim de um “overhaul” todos os parâmetros, desde a pressão de óleo à potência do motor, são testados, fazendo com que o motor seja considerado como novo.

Durante ma manutenção do tipo overhaul de um motor turbofan, o motor é retirado completamente da aeronave. A imagem demonstra o motor sendo retirado da aeronave.
Motor turbofan de uma aeronave sendo preparado para uma manutenção do tipo overhaul.

Um paralelo à essa revisão não pode ser efetuado com automóveis. Não existe, por exemplo, fabricante de automóveis que recomende a desmontagem completa e reconstrução do motor a cada intervalo de quilometragem.

Uma revisão desse tipo geraria um custo muito alto, podendo chegar a mais de 50% do valor do veículo, além de levar muitas horas. Tudo isso faz com que a manutenção tipo “overhaul” para um automóvel não seja viável.

Por isso é importante contarmos com uma fonte de informações que vá além das revisões básicas indicadas pela fabricante. Dessa forma, é necessário saber detalhes sobre quais procedimentos e verificações podem se fazer necessários para manter o veículo em perfeito funcionamento.

A Doutor-IE é referência nacional em literatura técnica, estamos há mais de 25 anos no mercado coletando e centralizando informações de todas as montadoras. Temos uma plataforma online de informações que auxiliam o reparador profissional, trazendo economia de tempo, agilidade nas buscas e mais segurança no seu trabalho.

É importante frisar que o manual de revisão da Plataforma Doutor-IE é baseado nas informações originais da montadora. Porém, além de corrigirmos possíveis erros do material original, podemos indicar verificações ou substituições extras, conforme problemas característicos de um determinado modelo de veículo.

Clique aqui e conheça a Plataforma Doutor-IE.


Tipos de Manutenção (Preventiva vs Preditiva vs Corretiva)

Existem três tipos principais de manutenção automotiva que podem ser efetuadas para diminuir a probabilidade de falhas e corrigir defeitos em um veículo, ou em qualquer equipamento. Os três tipos de manutenção são:

  • Manutenção Preventiva
  • Manutenção Preditiva
  • Manutenção Corretiva

Manutenção Preventiva:

A manutenção preventiva é uma manutenção realizada de forma programada e tem como objetivo manter o veículo funcionando. Esse tipo de manutenção é efetuada a cada certa quilometragem ou tempo de uso (anos ou meses). E visa itens cuja probabilidade de falha aumenta após certo tempo, ou itens os quais uma falha acarretaria na destruição do motor, e/ou imobilizariam o automóvel. 

Um exemplo de item que é substituído na manutenção preventiva é a correia dentada, pois, caso falhe, causa um dano muitas vezes irreversível ao motor/cabeçote.

Como comentado anteriormente, na manutenção preventiva para automóveis temos dois grupos principais de substituições que precisam ser feitas. Itens que são substituídos por tempo de uso, e os itens que são substituídos por quilometragem.

Por exemplo, o fluido de freio é um item que costuma ser substituído por tempo, velas de ignição costumam ser substituídas por quilometragem e correias dentadas costuma ser substituídas por quilometragem ou por tempo de uso (o que ocorrer primeiro).

Manutenção Preditiva:

A manutenção preditiva é aquela onde a substituição é condicionada à inspeção de um item que se desgasta com o uso do equipamento.

Esse tipo de manutenção é muito importante para itens que possuem seu desgaste determinado pelas condições de uso do veículo. Os principais exemplos de itens que costumam sofrer manutenção preditiva são os itens de freio, como discos e pastilhas.

Normalmente as fabricantes de automóveis indicam que o estado de desgaste deve ser verificado a cada intervalo especificado. E a substituição deve ser realizada em caso de necessidade, antes do item apresentar defeito.

Manutenção Corretiva:

A manutenção corretiva serve para corrigir problemas evidentes no veículo. Por exemplo, uma falha de desempenho em um sistema específico.

Assim, quando o ar-condicionado para de funcionar, é efetuada uma manutenção corretiva. O mesmo vale para quando o motor passa a ficar “fraco” gerando menor potência, quando começa a queimar óleo ou quando o freio começa a trepidar. Ou seja, é toda manutenção que serve para corrigir falhas perceptíveis nos mais diversos sistemas que compõem um automóvel.

Os procedimentos previstos no plano de manutenção de um veículo novo combinam manutenções preventivas, onde peças são substituídas periodicamente, levando em consideração o tempo ou quilometragem de uso. Além de manutenções preditivas, onde são indicadas verificações em vários itens, os quais devem ser substituídos em caso de desgaste excessivo.

A manutenção corretiva é efetuada quando o dono do veículo se queixa de algum sintoma específico como, por exemplo, barulhos ou falta de eficiência em algum sistema.

A substituição das velas de ignição normalmente é uma manutenção preventiva efetuada a cada período de quilometragem., a imagem demonstra a substituição de uma vela de ignição
A substituição das velas de ignição normalmente é uma manutenção preventiva efetuada a cada período de quilometragem.

As condições severas de uso e a importância da entrevista com o cliente

O procedimento de revisão de um automóvel deve ter como ponto de início a entrevista com quem dirige o veículo. Isso é de suma importância para identificar possíveis problemas que já foram identificados com o uso (e levarão a procedimentos corretivos) e também para definir as condições de uso a qual o veículo é submetido.

As condições de uso de um automóvel influenciam diretamente no período de manutenção de diversos componentes.

Por exemplo, quando um veículo é conduzido predominantemente em uma zona urbana (que tende a possuir muitos semáforos, lombadas, cruzamentos, etc) o sistema de freio tende a sofrer desgaste muito mais acentuado, o que leva a substituição de discos e pastilhas em uma periodicidade muito mais breve.

As condições severas de uso não necessariamente são situações que chamam atenção. Por exemplo, o uso prolongado em baixas rotações (ou marcha lenta) é considerado um uso severo.

As condições severas de uso mais comuns são relacionadas a:

  1. Dirigir em percursos curtos, percorridos com motor pouco aquecido.
  2. Dirigir em percursos com trânsito pesado, que exijam o funcionamento contínuo em marcha lenta ou baixa rotação.
  3. Dirigir em estradas com muita areia, poeira, fuligem, lama ou em regiões de minério.
  4. Operar frequentemente puxando reboque, trailer, ou próximo à capacidade máxima de carga.
  5. Dirigir em terrenos acidentados, estradas esburacadas, com muitas lombadas, desníveis ou semelhantes.
  6. Dirigir com acelerações e frenagens bruscas, sem atitudes de antecipação ou em condução esportiva.
  7. Longos períodos de inatividade.

Para que o plano de manutenção seja seguido de forma correta, é de fundamental importância que a entrevista com o principal condutor/dono do veículo seja realizada de forma eficiente. Isso é essencial para definir quais itens precisam ter a substituição ou verificação priorizada.

A utilização de veículos em grandes centros urbanos denota a necessidade de cuidados especiais na manutenção automotiva, a imagem demonstra veículos circulando em um grande centro urbano
Utilização em grandes centros urbanos: uso severo.

Durante a entrevista com o cliente, o reparador deve buscar informações sobre como o veículo é utilizado, principalmente fazendo perguntas objetivas e fechadas, como:

  • O trajeto mais comum de utilização é urbano?
  • Qual distância do trajeto mais comum?
  • O percurso médio do veículo demora quanto tempo? (Quanto tempo você demora para chegar ao seu destino mais comum)?
  • Você costuma enfrentar muitos congestionamentos (filas, engarrafamentos)?
  • No trajeto mais comum, o veículo enfrenta lombadas, buracos,
    desníveis ou degraus com frequência?
  • Você costuma efetuar acelerações, frenagens bruscas ou
    trafegar acima de 120km/h por longos intervalos de tempo?

Isso pois perguntas mais abertas do tipo: “Seu trajeto mais comum é curto?” ou “O veículo costuma circular por estradas ruins?” Deixam a possibilidade de uma interpretação leniente por parte do condutor, por exemplo, ele pode interpretar que circular por vias de paralelepípedo é algo normal, ou que um trajeto de 5km não é um trajeto curto.

Melhore suas revisões utilizando um roteiro para que a entrevista seja realizada de maneira eficiente! Baixe agora o roteiro Doutor-IE de entrevista com cliente e faça revisões mais assertivas! 

A Doutor-IE sabe que a manutenção automotiva não se limita apenas às revisões, e por isso temos mais de 10 mil manuais na Plataforma Doutor-IE, abrangendo desde torques de aperto até oscilogramas e testes de componentes.

Manutenção automotiva – a visão do reparador como um consultor

Durante o período de garantia de um veículo, as manutenções em geral podem seguir estritamente o que está previsto no manual de revisões do mesmo. Porém, com o acúmulo de desgaste e dos anos de uso do veículo, outros procedimentos podem ser necessários para que exista a certeza de que o veículo continuará funcionando perfeitamente.

É nesse ponto que os reparadores deverão se tornar “consultores de manutenção”, indicando tanto procedimentos essenciais quanto adicionais para a manutenção do veículo. Saber recomendar procedimentos, que podem se fazer necessários devido ao desgaste e tempo de uso acumulado, é primordial para um atendimento de alto nível. Além disso, é vital argumentar e fundamentar sua recomendação fazendo com que o cliente entenda os motivos da mesma.

Publicações que criticam inspeções periódicas (e recomendações de troca) são um desrespeito com o mercado de reparação em geral e, também, com os consumidores e donos de automóveis. Há pouco tempo houve até quem questionasse o período de inspeção da correia dentada dos veículos Toro e Renegade Diesel, inspeção essa que deve ser efetuada a cada 20 mil km.

Confira o manual de revisões Doutor-IE para Renegade, Compass e Toro 2.0 Diesel 2015 em diante.

Esse tipo de crítica leva o consumidor leigo a acreditar que a manutenção preditiva inexiste, ou que trata-se de um golpe, o que não é verdade! Na realidade, uma substituição prematura de uma correia dentada que está contaminada pode salvar um motor, e fazer com que o dono do automóvel economize milhares de reais.

O mercado deve ser instruído que a recomendação de procedimentos preventivos ou extras não obriga os proprietários a segui-los, mas demonstra a preocupação do reparador com o funcionamento contínuo do automóvel. Além disso, muitas vezes, esses procedimentos extras visam evitar gastos maiores e reparos mais demorados.

Portanto concluímos que a melhor forma de revisar um automóvel é unir as recomendações da montadora com a experiência e prática adquirida no dia-a-dia da oficina. Os materiais de revisão da Doutor-IE reúnem a informação original com a experiência, a prática e o conhecimento de milhares de reparadores. É um excelente guia para realizar uma revisão de status premium.

Agora que você já conhece um pouco mais revisões, confira nosso checklist básico de entrada e revisão de veículos:

Gostou dessa matéria? Então da uma olhada nesses materiais de gestão de oficina:

Aproveite e clique aqui para começar uma parceria de sucesso para sua oficina!


Faça uma busca de código de falha gratuitamente
Faça seu cadastro e conheça a plataforma da Doutor-ie

23 Circuito Doutor-ie, o melhor evento técnico automotivo, saiba mais.

Entre no grupo do telegram da doutor-ie